Pés diabéticos

26 de novembro de 2014

O diabetes é uma doença cuja gravidade ainda não é muito conhecida. É quatro vezes mais comum do que todas as formas de câncer juntas e acomete mais de 370 milhões de pessoas no mundo, sendo 13,4 milhões de brasileiros, independente da idade, sexo ou raça.

Quando bem controlado, o diabetes oferece poucos riscos para os seus portadores. No entanto, se mal cuidado pode acarretar em diversas sequelas. Uma das mais comuns e perigosas são as lesões e úlceras nos pés.

 

Neuropatia periférica

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Os nervos e os vasos sanguíneos do diabético podem ser destruídos ao longo do tempo, devido a uma condição conhecida como neuropatia diabética. Além disso, a cicatrização local adequada se torna comprometida devido à má circulação local.

 

Quando o diabético sofre qualquer tipo de lesão nos pés ele não as sente, devido à falta de sensibilidade resultante da doença. Essa condição traz muitos riscos, por não conseguir se proteger adequadamente ou mesmo saber quando teve algum machucado nos pés.

 

 

O perigo da falta de sensibilidade

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Com o tempo essas lesões podem se transformar em úlceras. E é sabido que ao longo da vida dos diabéticos a incidência de úlceras é de 25% (um a cada quatro portadores desenvolve úlceras).

Sabe-se que a neuropatia diabética acomete 70% dos pacientes com mais de 60 anos e que 85% das amputações são precedidas por essas úlceras

 

Pressão na sola dos pés

A sobrecarga imposta à sola dos pés do diabético neuropata é um dos fatores de grande predisposição ao surgimento dessas úlceras plantares e a uma possível amputação do pé, tornozelos e mesmo a perna.

Isso acontece, pois, ao caminhar no dia-a-dia, o paciente com neuropatia diabética não sente as possíveis pressões e dores nos pés.

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Não sentindo essas pressões aumentadas e as dores, o paciente não corrige o jeito de andar, ou adapta sua pisada. Assim, com o tempo vão surgindo pequenas ulcerações plantares na região com hiperpressão.

Por isso, além do acompanhamento médico e dos demais cuidados que o paciente diabético deve ter com seus pés, a avaliação das pressões plantares é de extrema necessidade para evitar o surgimento dessas úlceras e as possíveis amputações.

Para ter uma ideia da importância desse cuidado, um em cada três diabéticos com neuropatia e aumento de pressão plantar (hiperpressão plantar) desenvolve úlceras num prazo de até dois anos.

 

Os sapatos para o diabético

Os sapatos também são outro grande causador de lesões. Saltos altos, bico fino e solado duro, que não absorvem o impacto e criam aumento da pressão na sola do pé, são os piores exemplos.

É de suma importância que, além do uso de palmilhas para redistribuir as pressões plantares, prevenir o surgimento de úlceras e até mesmo a cura dessas lesões, o portador de diabetes faça o uso frequente de calçados adequados.

Esse sapato deve ser macio e maleável além de não possuir costuras internas, para evitar zonas de fricção (potenciais locais de aparecimento de lesões). O bico deve ser arredondado e reforçado, permitindo que possa movimentar livremente os dedos dentro dele. A sola deve ser rígida, mas flexível, e o calcanhar deve ter proteção.

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Além disso, é importante que a pessoa experimente seu calçado ao final do dia, pois é quando o pé pode estar inchado e deverá caber sem apertar. Habitualmente adquire-se um número acima do normal.

 

Cuidados com os pés diabéticos

  • Examinar os pés diariamente e ver se há bolhas, rachaduras, cortes, pele seca ou vermelhidão.
  • Lavar os pés diariamente.
  • Enxugar sempre muito bem entre os dedos.
  • Cortar as unhas do pé regularmente, não muito curtas e em linha reta.
  • Usar sapatos adequados (espaçosos, protegidos e sem costura) e não utilizar o mesmo sapato todo dia. É importante ter dois pares de sapatos.
  • Tratar dos pés com um podólogo.
  • Procure tratamento com o seu médico se bolhas ou lesões nos pés não cicatrizarem rapidamente.

 

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