Consequências econômicas do tempo em pé e as dores

Foto de um homem vestido de colete laranja e com capacete sentado próximo a um trilho de tem.
 
Tendo em vista a forte relação observada entre tempo em pé ou andando e dores nos pés, tornozelos e joelhos o estudo relacionou o quanto essas variáveis afetam a produtividade dos trabalhadores.

Necessidade de sentar durante o trabalho

Um importante dado obtido no estudo foi o número de vezes que o trabalhador precisa sentar ao longo do dia por conta das dores nos pés, tornozelos e joelhos.

Foi revelado que em média o trabalhador senta 6 vezes ao dia e que 7,5% deles tem que sentar mais de 16 vezes.
 
Imagem de uma tabela com a relação entre o número de vezes que precisa sentar com o gênero.
Fotografia de um homem com capacete amarelo sentado em frente à caixas e sentindo dores na região da canela
 
É possível notar um aumento no número de vezes que as pessoas buscam sentar com o passar do tempo e como a média aumenta quando analisamos a parte da população que passa 6 horas ou mais em pé.
 
Tabela comparando as vezes que as pessoas procuraram sentar com as horas que passaram em pé ou andando.
Tabela com a porcentagem de vezes que homens e mulheres procuram sentar após ficar ao menos seis horas em pé.
 
Ter que sentar várias vezes durante o dia de trabalho pode significar perda de produtividade para aqueles que tem funções que demandam estar em pé. Isso porque eles estão sentados em vez de trabalhando no posto de trabalho, ou estão cansados e com dor querendo estar sentados.

Redução no ritmo de trabalho

Foi perguntado quanto as pessoas acham que tem seu ritmo de trabalho diminuído em porcentagem devido a dor nos pés, tornozelos e joelhos.

Em média encontrou-se que há perda de 40% de ritmo de trabalho para as mulheres e 25% para homens, devido as dores nos pés, tornozelos e joelhos. De acordo com a pesquisa isso se deve ao fato das mulheres sofrerem com mais dores nos pés.

Além disso, foi possível estabelecer, com sucesso (alto R² – próximo de 1), que o número de horas em pé aumenta a percepção perda de ritmo de trabalho. Isso impacta diretamente na produtividade dos serviços.

Dessa relação, tem-se que, para cada hora em pé as mulheres percebem redução no ritmo de trabalho em 3,2% e os homens 2,6%.
 
Tabela com a relação das horas em pé com o ritmo do trabalho.
 
Os dados do gráfico foram retirados das tabelas a seguir, nas quais pode se ver o descritivo do percentual de redução de ritmo de trabalho por hora em pé, para os homens e mulheres:
 
Consequencias econ. 7
Tabela com a relação de diminuição no ritmo do trabalho dos homens com as horas que ficam em pé.
 
Redução da atenção a detalhes

Outro dado interessante é a relação de atenção aos detalhes com o número de horas em pé ou andando, que mostrou 29% de redução média para mulheres e 21% para homens.

O gráfico abaixo ilustra que quanto mais horas em pé ou andando, mais os trabalhadores percebem redução de atenção aos detalhes.

As mulheres acusaram perdas de 2,7% para cada hora em pé e homens, perdas de 1,9%.
 
Gráfico com a relação entre a perda de qualidade com as horas passadas em pé ou andando.
 
Este é um aspecto interessante, pois, falta de atenção aos detalhes durante uma jornada de trabalho se relaciona com menor qualidade dos serviços prestados.

Os dados do gráfico foram retirados das tabelas a seguir, nas quais pode se ver o descritivo do percentual de redução da atenção a detalhes no trabalho por hora em pé, para os homens e mulheres:
 
Tabela com a relação entre a percepção da redução de atenção aos detalhes no fim da jornada com as horas passadas em pé das mulheres.
Tabela com a relação entre a percepção da redução de atenção aos detalhes no fim da jornada com as horas passadas em pé dos homens.
 
Acidentes no trabalho

Dentre os respondentes, 4,6% relataram ter sofrido algum acidente de trabalho nos últimos 12 meses. Não foi estabelecida nenhuma relação relevante entre o gênero dos respondentes e a ocorrência de acidentes.
 
Tabela com a comparação de acidentes de trabalho sofridos por homens e mulheres.
 
A relação entre horas em pé ou andando e a ocorrência de acidentes de trabalho também foi estudada nesta pesquisa e é possível perceber que há uma tendência de aumento de acidentes de acordo com o período em pé ou andando.
 
Gráfico com a relação entre acidentes de trabalho e gênero.
 
Um estudo da regressão nos permite comparar a ocorrência de acidentes de trabalho da população que passa a jornada de trabalho sentada com aquela que passa 8 horas em pé ou andando:
 
Tabela com a relação de ocorrência de acidentes em pé ou andando com o gênero.
 
É possível ver uma diferença gritante entre esses dois cenários. Para homens o percentual de pessoas que sofrem acidente trabalhando 8 horas em pé, é 11 vezes maior que aqueles que ficam sentado. Já para mulheres esse número é 54 vezes maior.

Absenteísmo

Quando consideradas as faltas no trabalho, observa-se um bom nível de correlação entre horas em pé ou andando com o número de pessoas que faltaram, ao menos uma vez, por dores nos pés, tornozelos e joelhos.
 
Gráfico com a relação entre as faltas no trabalho com as dores nos pés, tornozelos e joelhos.
 
Assim como no estudo de acidentes de trabalho, é possível estabelecer paralelo entre o número de faltas das pessoas que passam a jornada de trabalho sentadas com aquelas que passam 8 horas em pé ou andando.
 
Tabela com a relação entre as horas que homens e mulheres passam em pé com abstinência.
 
É possível ver uma grande diferença novamente. Para homens o percentual de pessoas que faltaram, trabalhando 8 horas em pé, é 4 vezes maior que aqueles que ficam sentado. Já para mulheres esse número é 3 vezes maior.

Mudança de função

Uma das mais surpreendentes revelações da pesquisa é que 30% dos trabalhadores desejam mudar de função devido a dores nos pés, tornozelos e joelhos.

Relacionando o desejo de mudança de função com o tempo com que os trabalhadores passam em pé ou andando, obteve-se outra boa correlação.
 
Gráfico com relação de homens e mulheres que buscaram mudar de emprego devido à dores nos pés, tornozelos e joelhos.
 
Para desejo de mudança de função, nota-se que para 8 horas em pé ou andando de trabalho há uma porcentagem muito maior de trabalhadores que querem mudar de função do que aqueles que trabalham sentado.
 
Tabela com a relação de pessoas que desejam mudar de função com as horas que passam em pé.
 
Influência no humor e no relacionamento

A última relação que foi analisada deste grupo foi a interferência do tempo em pé no humor e relacionamento.

Observou-se um impacto razoável do tempo em pé nessas variáveis. Com relação ao humor, é possível ver que quanto mais tempo em pé ou andando as pessoas passam no trabalham, mais o humor delas piora devido a dor nos pés, tornozelos e joelhos. Isso fica ainda mais evidente para mulheres, que tem humor pior em geral e são mais afetadas pelo tempo em pé.
 
Gráfico com a relação entre o humor e o tempo que passam em pé ou andando.
 
Ao que tange o relacionamento no trabalho, o mesmo padrão é observado.
 
Gráfico com a relação entre as horas passadas em pé com o relacionamento com os colegas de trabalho.
 
É ainda possível dizer que, talvez, a piora de humor, mais acentuada nas mulheres, leva a um pior relacionamento com os colegas de trabalho.

Comparação da produtividade com tempo em pé e sentado

Com intuito de quantificar a diferença de produtividade entre aqueles que ficam em pé ou andando com aqueles que ficam sentados, foi feita a comparação do ritmo de trabalho, atenção aos detalhes, desejo de mudança de função, humor, relacionamento e dores.

Como esperado, aqueles que ficam em pé ou andando entre 6 e 8 horas no dia tem sua produtividade mais afetada que aqueles que ficam sentados e há um número maior de pessoas que desejam mudar de função.
 
Tabela com a relação entre o ritmo de trabalho com as horas passadas sentadas, em pé ou andando.
Tabela com a relação entre a atenção aos detalhes com as horas passadas sentadas, em pé ou andando.
Imagem de três tabelas, uma com a relação entre o desejo de mudar de função com as horas passadas sentadas, em pé ou andando, outra com o humor e com as horas passadas sentadas, em pé ou andando, e a outra entre o relacionamento dos colegas com as horas passadas sentadas, em pé ou andando.
 
É possível observar, também, uma piora relevante nos níveis de dores nos pés tornozelos e joelhos.
 
Imagem de três tabelas, uma comparando as dores nos pés com as horas passadas em pé, andando e sentado; outra comparando as dores nos tornozelos com as horas passadas em pé, andando e sentado; e a última comparando as dores nos joelhos com as horas passadas em pé, andando e sentado.
 
Conclui-se, com base nas análises feitas nos capítulos IV e V, que há fortes correlações entre tempo em pé, intensidade de dores nos pés, tornozelos e joelhos e sua influência no trabalho.

Atividades que exigem longas jornadas em pé, causam impactos negativos para trabalhadores e empresas. É irrefutável, portanto, a necessidade de se encontrarem alternativas que aliviem o fardo desses longos períodos em pé, para melhoria da qualidade de trabalho e a redução de perdas para a empresa.

Clique nos links abaixo para saber mais detalhes sobre a pesquisa “O trabalho e a relação com os pés, tornozelos e joelhos”.

Características dos trabalhadores do estudo

Características do trabalho

Problemas nos pés causados pelo trabalho- Calos e outras complicações

Problemas nos pés causados pelo trabalho- Dores

Característica dos pés