Osteocondrite

Lesão na cartilagem de crescimento do joelho

1. Lesão na cartilagem de crescimento do joelho

O QUE É OSTEOCONDRITE:

A osteocondrite é uma patologia de origem pouco conhecida que acomete a cartilagem de crescimento (que auxilia na formação dos ossos do corpo humano) e é mais frequente durante a infância e a adolescência, pois são as fases de construção e consolidação do sistema esquelético. Esse distúrbio pode afetar qualquer articulação e têm seu nome definido de acordo com a região atingida. O tipo de osteocondrite mais comum é a Doença de Osgood-Schlatter, que afeta o joelho e pode levar ao desenvolvimento de uma protuberância óssea abaixo da patela.

No início do processo de formação dos ossos, o esqueleto é constituído, em uma grande parte, por cartilagem (um tipo de tecido resistente e flexível, responsável por amenizar o atrito ósseo nas articulações) e tal tecido, ao longo dos anos, é substituído gradualmente pelo osso. Tal processo é realizado entre a epífise (localizada na extremidade do osso, também é ossificada após consolidação do esqueleto) e a “cartilagem de crescimento”, que auxiliam no aumento do diâmetro e do comprimento dos ossos.

Quando a cartilagem de crescimento é lesionada, seja por tração exagerada, traumas ou outros fatores desconhecidos, há uma falha no seu funcionamento e o crescimento ósseo fica prejudicado, o que pode causar o desenvolvimento de uma proeminência na região acometida. Em casos extremos, pode haver o desprendimento de partes da cartilagem e a migração para o lado de dentro da articulação (corpos livres), levando à ocorrência de dores e limitação de movimento.

A osteocondrite, quando não tratada corretamente, pode causar alterações precoces na estrutura das articulações e contribuir para a consolidação de um processo de desgaste degenerativo das cartilagens.

O QUE CAUSA OSTEOCONDRITE

Os estudos realizados ainda são controversos quanto às causas que podem levar ao desenvolvimento da osteocondrite. Alguns pesquisadores acreditam que uma alteração circulatória faz com que a cartilagem perca o suprimento sanguíneo necessário para sua manutenção. Junto a isso, a degeneração da epífise e dos núcleos de ossificação contribui para a lesão da cartilagem de crescimento e consequente desenvolvimento da osteocondrite.

Formação do osso e da cartilagem de crescimento

2. Formação do osso e da cartilagem de crescimento

Traumas, lesões por estresse ou impactos repetitivos na articulação também podem provocar alterações na circulação sanguínea na cartilagem de crescimento. Por essa razão, essa patologia é mais frequente em crianças e adolescentes praticantes ativos de atividades físicas.

Os desalinhamentos dos membros inferiores ajudam no aumento da sobrecarga e na repetição de movimentos prejudiciais, principalmente nos pés, tornozelos e joelhos, e pode estar relacionada com a osteocondrite.

Joelho valgo

3. Joelho valgo

O desalinhamento em valgo causa a rotação interna da tíbia e adução excessiva da articulação, fazendo com que o joelho fique “para dentro”. Esse desalinhamento é o principal vilão das estruturas envolvidas no joelho, pois causa grande sobrecarga, compressão e entorses, aumentando o desgaste ósseo e podendo levar ao comprometimento da cartilagem de crescimento. Jovens atletas com esse desalinhamento têm maiores probabilidades de desenvolverem a osteocondrite.

Joelho varo

4. Joelho varo

Já o desalinhamento em varo faz com que as pernas fiquem posicionadas como as de alguém montado num cavalo, devido ao estiramento das estruturas laterais.

Outros fatores, como a hereditariedade e a genética do indivíduo, também podem estar ligados à osteocondrite.

TIPOS DE OSTEOCONDRITE

Como dito anteriormente, a osteocondrite pode afetar vários ossos do corpo e seu nome varia de acordo com a região atingida. Dentre as principais variações da doença, existem:

  • Doença de Freiberg: É a osteocondrite da cabeça do segundo metatarso (osso longo do pé, anterior aos dedos). Pode causar artrose e levar a degeneração da articulação com a falange, causando dificuldade e limitação de movimento.
  • Doença de Köhler: Afeta o osso navicular e causa dor na parte medial do pé, podendo causar alterações no arco plantar.
  • Doença de Sever: Atinge o calcanhar e está diretamente relacionado ao aumento de exercícios físicos. Pode causar fragmentação do calcâneo, resultando no alargamento do osso e surgimento de uma protuberância.
  • Doença de Osgood-Schlatter: É o tipo mais comum de osteocondrite e acomete a tuberosidade da tíbia (localizada próxima ao joelho, abaixo da patela). Sofre alta influência dos desalinhamentos do joelho.
  • Doença de Renander: É rara e atinge os ossos sesamóides (dois pequenos ossos de formato arredondado que auxiliam a impulsão do dedão). Está ligada ao uso prolongado de sapatos inadequados.
  • Doença de Iselin: Também é um tipo raro de osteocondrite que afeta a base do quinto metatarso. Causa dor na lateral do pé durante a pisada.
  • Osteocondrite Dissecante: Essa variação da doença causa o desprendimento de parte da cartilagem seguida de sua migração para o interior da articulação.

PRINCIPAIS SINAIS E SINTOMAS DE OSTEOCONDRITE

Os principais sinais da osteocondrite são:

  • Dor, que é intensificada com a prática de esportes;
  • Edema (acumulo de líquido que provoca o inchaço da região acometida);
  • Bloqueio articular (como por exemplo, pessoas com a doença de Osgood-Schlatter podem sofrer episódios onde o joelho “trava”);
  • Vermelhidão;
  • Possível presença de uma proeminência óssea.

COMO TRATAR A OSTEOCONDRITE

O diagnóstico da osteocondrite deve ser feito por profissionais especializados com base na análise de exames de imagem, que mostrarão alterações na estrutura física do osso e possível proeminência. O tratamento varia de acordo com o estágio de fragmentação do osso, a dimensão da fratura e o grau de dor do paciente, e algumas medidas podem ser indicadas pelo médico, como:

  • Redução de carga na área (com possível uso de muletas);
  • Diminuição da prática de atividades físicas e/ou de alto impacto;
  • Possível imobilização temporária da região;
  • Medicação;
  • Uso de palmilhas Pés Sem Dor;
  • Cirurgias somente serão indicadas em casos onde o tratamento conservador não surtir efeitos.