Disque 4003-8033   ou

Pé chato e pé cavo

O pé chato e o pé cavo são modificações anatômicas do arco plantar. As variações são, normalmente, hereditárias e estão ligadas à área da sola do pé que o indivíduo usa como apoio. Quando a pessoa tem esse tipo de alteração, ela está mais suscetível a certos tipos de lesão, principalmente se for praticante de esportes com alto grau de impacto, como a corrida e o futebol.

Uma das características estruturais mais importantes e altamente variável do pé humano é o arco longitudinal medial, cuja função é distribuir a carga e absorver o impacto que chega nos pés durante as atividades. Tradicionalmente, esse arco do pé é classificado como alto (pés cavos), normal ou baixo (pés chatos ou planos). Quando há variação anatômica de altura desse arco, tanto para os arcos mais baixos quanto para os arcos mais altos, há uma perda de eficiência do amortecimento e da absorção de impacto.

O pé cavo tem uma área de apoio menor, fazendo com que o peso fique concentrado no calcanhar e nos metatarsos, aumentando a pressão nessas regiões e, geralmente, causando dores pela sobrecarga. Esse tipo de pé normalmente está relacionado com a supinação (quando a parte de fora do pé é mais utilizada) durante o caminhar. Além de ser, geralmente, um pé mais rígido, a estrutura tem menos eficiência na absorção de impacto e, por isso, apresenta maior suscetibilidade à fascite plantar, metatarsalgias e dores no calcanhar.

Os pés chatos ou planos têm uma área grande de apoio – praticamente toda sola do pé está em contato com o solo. Esse tipo de pé, normalmente, está relacionado com a pronação durante o caminhar. Com isso, as pressões ficam concentradas na parte de dentro dos pés.

Os pés chatos são muito comuns em crianças, pois o pé ainda está em desenvolvimento e tende a formar uma estrutura ideal, a partir da primeira década de vida. Como geralmente estão vinculados à pés com maior mobilidade, eles não possuem tanta eficiência para absorver impacto e estão muitos ligados a lesões como: fascite plantar, insuficiência do tibial posterior, dor no tornozelo e joelho, sesamoidite e joanetes.

 

CAUSAS DO PÉ CHATO E PÉ CAVO

A formação do arco longitudinal medial do pé acontece na primeira década de vida. Durante os dois primeiros anos, é comum a criança apresentar pés planos. Com o desenvolvimento da marcha, os membros inferiores passam a ser mais exigidos, e os pés começam a ganhar mais estrutura. Espera-se que o arco do pé esteja desenvolvido até os 8 anos de idade. A formação estrutural dos pés tem uma relação muito grande com a hereditariedade, mas alguns fatores podem ser decisivos para modificar a altura desse arco. Os principais são:

Algumas deformidades, como o pé torto congênito, podem alterar a anatomia normal do pé e, consequentemente, alterar a formação do arco. Geralmente esse tipo de alteração é identificado no primeiro ano de vida e deve ser acompanhado por um médico ortopedista;

A obesidade, durante a formação do arco, sobrecarrega o pé e atrasa o desenvolvimento. Dessa forma, a chance de a criança ficar com o arco longitudinal rebaixado, durante a vida adulta, aumenta. Cresce também a probabilidade de ela ter dores por conta desse tipo de pé.

– Pesquisas observaram que a formação do arco em crianças obesas acontece tardiamente, entre 8 a 10 anos de idade, enquanto em crianças não obesas essa estrutura tende a se formar aos 5 ou 6 anos;

O nível de atividade física da criança. Em casos de crianças sedentárias, como há uma menor utilização dos membros inferiores, a musculatura dos pés é menos desenvolvida e o arco não tem tanta sustentação;

O uso precoce de calçados rígidos. Atualmente se coloca sapatos nas crianças desde o nascimento. Acredita-se que isso cause uma diminuição de estímulo para o desenvolvimento da musculatura dos pés. Antes, esse fator era mais estimulado, porque as crianças podiam brincar descalças em terrenos irregulares muito mais do que nos tempos atuais;

Lesões e traumas sofridos durante ou após a formação do arco podem causar alterações. Ao lesionar o pé, durante o desenvolvimento do arco, pode-se acelerar a consolidação dos ossos, o que provoca variações nessa estrutura. Na vida adulta, lesões no tendão tibial posterior podem causar o chamado pé chato adquirido;

O envelhecimento. Muitas vezes, o pé vai se tornando progressivamente plano, devido ao enfraquecimento da musculatura e da degeneração dos tecidos, como ligamentos e tendões;

As doenças neurológicas. As neuropatias sensitivomotoras hereditárias são as causas mais comuns do pé cavo adquirido, pois levam a um desequilíbrio dos tecidos do pé, o que provoca a deformidade. Uma das doenças mais relacionadas a esse tipo de pé é a doença de Charcot-Marrie-Tooth.

 

SINAIS E SINTOMAS DO PÉ CHATO E PÉ CAVO

Ter o pé plano ou cavo não necessariamente representa um problema. No entanto, se houver dores na região dos pés, tornozelos ou joelhos, pode ser que a altura do arco seja o fator responsável. Quando os incômodos aparecerem, procure um especialista para realizar o tratamento.

Existem diversas maneiras de analisar a altura do arco. A mais simples é pegar uma folha de jornal, esticá-la no chão e pender as bordas com uma fita ou algum peso. Molhe a sola do pé por igual e pise sobre a folha.

É possível classificar os pés em cinco diferentes tipos, lembrando que o pé direito pode ser de um tipo diferente do esquerdo. Por isso é importante que cada pé seja avaliado separadamente.

Diante da presença de alterações no arco do pé, principalmente em crianças, é fundamental procurar um especialista, pois durante a fase de crescimento os métodos para estimular a formação do arco plantar são mais eficientes. Os adultos devem se preocupar com essas alterações somente quando houver dores nos pés, tornozelos ou joelhos. Profissionais especializados podem utilizar outras técnicas para caracterizar os tipos de pé.

 

Principais métodos de análise dos tipos de pé

Pedígrafo (plantígrafo)
Método que se utiliza tinta na sola dos pés para coletar a impressão plantar deixada pelo membro ao encostar no chão. A classificação é feita de acordo com a porcentagem de área do pé que encosta no chão. Esse tipo de equipamento pode ser utilizado em movimento (caminhando) ou parado. A impressão geralmente é guardada pelo profissional para que a evolução do caso seja analisada.

Podoscópio
O podoscópio é um equipamento feito em acrílico. Nele, a pessoa fica em pé sobre uma base elevada, e um espelho é posicionado logo abaixo para refletir os pontos de maior pressão nos pés. A avaliação, neste caso, é feita de maneira estática, com a pessoa parada sobre o aparelho. Alguns podoscópios mais modernos têm melhor iluminação e câmeras para registro da imagem.

Baropodometria
É um exame que capta a pressão na planta dos pés através de uma plataforma que transmite as informações para o computador. Esse equipamento pode ser utilizado tanto de forma dinâmica quanto estática.

Escâner 3D
É um dos aparelhos mais recentes utilizados na avaliação dos tipos de pés. Esse método capta a imagem estática dos pés em 3D, fornecendo tanto a área de contato do pé quanto a altura e posicionamento do arco plantar. Tem sido bastante estudado não só para a classificação dos pés, mas também no processo de fabricação das palmilhas personalizadas.

 

PREVENÇÃO E TRATAMENTO PARA TENDINITE NO TORNOZELO

Prevenção na Infância
Sabe-se que o alinhamento das estruturas que formam o arco longitudinal ajuda a proteger os pés de lesões, porque melhoram o amortecimento e o equilíbrio do corpo. Por isso, é importante prevenir o desenvolvimento desses tipos de pé durante a infância, pois é quando há maior chances de realizar intervenções efetivas.

A análise do tipo de pé da criança pode ser feita em casa, prestando atenção no tipo de marca que fica no tapete após ela sair do banho, ou na pegada que fica na areia da praia. Caso perceba que o formato não ficou próximo ao padrão de normalidade, procure um especialista para que ele possa analisar melhor esses pés. Veja mais sobre o desenvolvimento do pé da criança. Para a prevenção, há algumas intervenções especificas, como:

Desenvolvimento natural da musculatura dos pés
Na infância, usamos as mãos e os pés para nos ajudar a explorar o mundo. A utilização permanente de sapatos durante essa fase prejudica o desenvolvimento dos pés. Para um bom desenvolvimento da estrutura, estimule a criança a andar e correr descalça, principalmente em terrenos irregulares, como na areia ou na grama. Os pés em contato direto com o solo recebem mais sinais sensoriais. Dessa forma, ativam melhor a musculatura local e melhoram o controle postural.

Exercícios
Alguns exercícios podem incentivar a formação do arco, mas para não ficar chato para as crianças, os exercícios precisam ser mais lúdicos. Não adianta falar para uma criança contrair o arco do pé e segurar durante 15 segundos. Tente criar desafios e atividades que estimulem a utilização dos membros inferiores, como brincar na areia, pegar coisas com os pés ou subir em arvores.

Tratamento na fase adulta
Após a puberdade, a estrutura óssea já está praticamente desenvolvida e consolidada. Nas mulheres, isso tende a acontecer próximo aos 12 anos. Nos homens, acontece mais tardiamente – próximo aos 15 anos de idade. Por isso, em adultos, as intervenções estarão mais ligadas ao tratamento das dores, geradas pela alteração do arco, e não às modificações estruturais.

Para isso, é necessário passar por uma avaliação detalhada com um(a) especialista. Caso ele(a) verifique que essas dores estão realmente relacionadas ao pé cavo ou chato, algumas medidas podem ser tomadas para aliviar os sintomas. Veja a seguir:

Para pés chatos

– Fortalecimento muscular
O posicionamento do arco depende de estruturas como ossos, tendões, ligamentos e músculos. Sabe-se que, com o tempo, todos esses tecidos perdem a funcionalidade. E a probabilidade de que o arco caia com o passar dos anos é alta. Por isso, é importante se preocupar também com a manutenção da força dos músculos dos pés. Veja na seção de dicas caseiras como realizar alguns exercícios.

– Bandagem rígida
Técnica fisioterapêutica que utiliza fitas adesivas rígidas para melhorar o posicionamento das estruturas dos pés. Dependendo da maneira de como ela é aplicada, pode ajudar a melhorar a estrutura do arco durante o dia a dia.

– Palmilha personalizada
O intuído das palmilhas nos pés planos é melhorar o posicionamento do arco longitudinal, favorecendo o amortecimento da pisada. Além disso, esse tipo de pé, geralmente, está ligado à pisada pronada, com desvio do tornozelo para dentro e aumento da pressão na parte interna da sola do pé. Nesses casos, a palmilha também poderá ajudar a corrigir o desalinhamento através de uma cunha na região interna do calcanhar.

Para pés cavos

– Mobilização articular
Os pés cavos, normalmente, são mais rígidos e apresentam maior tensão nos tecidos dos pés. Para relaxar essas estruturas, utiliza-se a mobilização articular: técnica de massagem e alongando muscular para reposicionar e dar maior flexibilidade aos tecidos. Dessa maneira, o pé se adapta melhor ao solo, favorecendo o equilíbrio e o amortecimento, além de diminuir as chances de lesão.

– Palmilhas personalizadas
Nesse caso, as palmilhas aumentam a área de contato dos pés, uma vez que o pé cavo tem a área diminuída por conta da elevação excessiva do arco. A carga que antes ficava concentrada no calcanhar e na região anterior poderá ser melhor distribuída. Assim, os picos de pressão sobre o calcanhar e metatarso diminuem, o que previne o surgimento de lesões nos pés. Além disso, as palmilhas podem ajudar a corrigir a pisada supinada porque, neste caso, serão confeccionadas com uma cunha na lateral externa.

 

PALMILHAS PÉS SEM DOR® PARA TENDINITE NO TORNOZELO

A palmilha para alterações no tipo de pé deve possuir um apoio de arco específico para cada caso. Os arcos elevados precisarão de um suporte maior, a fim de aumentar a área de contato dos pés e melhorar a redistribuição de peso. Já no caso dos arcos baixos, o suporte deve ser menor, apenas para evitar o desabamento durante a locomoção e manter o alinhamento ideal do tornozelo e das outras articulações. Caso se produza uma palmilha com o arco longitudinal alto para um pé chato, este poderá levar ao desalinhamento da pisada para fora, ocasionando maior desconforto.

Para evitar qualquer desconforto na utilização das palmilhas, a Pés Sem Dor investiu em equipamentos de alta tecnologia para análise completa dos pés e confecção das palmilhas. Durante a avaliação, nossos especialistas utilizam o baropodômetro, um equipamento que ajuda identificar os pontos de pressão nos pés e registra a sua área de contato com o solo, em movimento. O escâner 3D é um dispositivo utilizado para fornecer dados de medição, como largura e comprimento dos pés, assim como altura do arco e posicionamento dele. Esses aparelhos permitem que nossa equipe consiga desenhar uma palmilha que se encaixe perfeitamente em seus pés, fornecendo conforto e alivio às dores.

 

CALÇADOS

Não há pesquisas que comprovem a relação entre os tipos de calçados com a altura de arco. Porém, muitos autores sugerem que a utilização precoce dos sapatos pode ser prejudicial para o desenvolvimento do arco durante a infância. Isso porque o sapato cria uma barreira “protetora para os pés”, que impede a sua estimulação.

Até os 5 anos, espera-se que o arco longitudinal dos pés já esteja formado. Para isso, é necessário que ele possua uma boa musculatura. Os calçados infantis são, geralmente, rígidos e retos, limitando a movimentação dos pés das crianças e não estimulando o seu fortalecimento. Por isso, durante a infância, é importante estimular os pequenos a brincarem descalços. Veja como escolher o tamanho ideal de calçado para cada criança.

 

ESPORTES

O bom posicionamento do arco do pé é fundamental para preservar a estabilidade da pisada. No esporte, por exigir maior atividade e absorção de impacto, o mal posicionamento do arco pode influenciar no aparecimento de lesões.

Em esportes como a corrida, que o estresse sobre os membros inferiores é intenso e constante, é muito comum que as dores sejam vinculadas às alterações dos mecanismos que absorvem impacto. Uma das estruturas fundamentais nesse mecanismo é o arco do pé. A ausência da curvatura ou o arqueamento excessivo também podem estar relacionados ao mau funcionamento da estrutura.

 

DICAS E CURIOSIDADES

Exercícios para os pés – realize 15 repetições desses exercícios sempre que possível, no mínimo 3 vezes ao dia. Veja abaixo:

– Elevação alternada dos dedos: coloque uma moeda fina e pequena abaixo do primeiro metatarso (base do dedão) para ajudar a manter o pé alinhado durante o movimento. Sem deixar seu pé desencostar da moeda, eleve apenas o dedão, deixando os outros dedos encostados no chão. Em seguida, abaixe o primeiro dedo e eleve os outros. Realize algumas vezes esse movimento alternado, prestando atenção para que o pé não desencoste da moeda;

– Flexão dos dedos: coloque uma toalha esticada no chão e fique em pé sobre ela. Realize movimentos de contração dos dedos, fazendo com que a toalha fique enrugada. Execute o movimento de forma lenta, segurando a contração máxima do músculo dos pés durante 5 segundos. Cuidado para não girar a perna enquanto faz o movimento. Mantenha-as sempre alinhadas;

– Equilíbrio: fique de pé, apoiado em apenas uma das pernas. Suavemente, incline o seu corpo para frente e para trás, realizando movimento de pêndulo e mantendo o apoio em apenas um dos pés. Em seguida, repita o exercício com o outro lado;

– Para as crianças, os exercícios precisam ser mais lúdicos. Uma boa alternativa é colocar alguns pequenos objetos no chão e brincar de pegá-los com os pés. Assim que ela conseguir fazer isso, você pode estimulá-la a passar mais tempo contraindo a musculatura, dizendo que para salvar o boneco, ela deve levá-lo até um determinado ponto sem deixá-lo cair.

 

Para saber mais sobre pé chato e pé cavo, assista o vídeo abaixo: