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Tipos de pisada

Podemos classificar a pisada em três tipos: a neutra, que seria a ideal, a pronada e a supinada, que podem gerar lesões. Esses movimentos são fisiológicos e acontecem de forma natural, para que o peso e o impacto do nosso corpo sejam amortecidos enquanto caminhamos. Porém, quando esses movimentos acontecem de forma exacerbada, eles podem levar à sobrecarga das estruturas articulares e, consequentemente, a uma lesão.

TIPOS DE PISADA

A pisada engloba desde a fase da caminhada, em que o pé encosta no chão com o calcanhar, até a etapa da impulsão, que deve ser realizada com o hálux (dedão). O ciclo também é chamado de fase de apoio, pois representa o momento em que o membro está em contato com o solo, recebendo o peso do corpo. Por isso, é fundamental que as estruturas estejam alinhadas para que os tecidos não fiquem sobrecarregados durante a locomoção.

A articulação subtalar é a primeira estrutura a entrar em movimento após a recepção de cargas pelo calcanhar. Por ela estar próxima do tornozelo, o desvio acentuado da subtalar pode ser facilmente percebido quando o alinhamento é comparado com o da figura abaixo. O ideal é que a posição articular esteja mais próxima à figura B.

O movimento ideal do pé, durante a pisada, é o que chamamos de pisada neutra. No momento da recepção de carga, a articulação subtalar realiza leves inclinações para dentro e para fora. Antes do peso chegar ao calcanhar, a articulação se encontra levemente inclinada para fora, o que chamamos de supinação. Ao receber a carga, ela realiza um movimento para dentro, ao qual se dá o nome de pronação. Esse movimento é fundamental para a absorção de impacto. Após o amortecimento, que ocorre quando o pé está totalmente encostado no chão, a articulação volta a realizar uma leve supinação, pois é mais vantajoso para o momento de propulsão.

A – PRONADO, B-NEUTRO, C-SUPINADO

Ou seja, o movimento de pronação e supinação não são ruins para o pé, pelo contrário. Eles existem para melhorar a adaptação entre o corpo e o solo. O problema há um excesso de inclinação para dentro (hiper pronação) ou para fora (hiper supinação). Popularmente, essas pisadas desalinhadas ficaram conhecidas apenas por pisada pronada ou pisada supinada.

 

DESALINHAMENTO BIOMECÂNICO

Os erros acontecem quando há um desvio anormal das articulações, prejudicando o movimento e as estruturas envolvidas durante o processo. No momento da pisada, dois tipos de erro podem acontecer: a pronação excessiva e a supinação excessiva.

Pisada pronada
O nome da pisada está relacionado ao movimento de pronação excessiva, que ocorre quando o pé, ao encostar no solo, desloca exageradamente para dentro. Isso pode ser percebido quando o alinhamento do tornozelo é analisado, pois, devido a sua proximidade com a subtalar, a articulação sofre um desvio para dentro. Esse posicionamento do tornozelo também é conhecido como tornozelo valgo, como veremos na imagem abaixo.

A pisada pronada estimula o rebaixamento do arco plantar. O problema é que essa estrutura é a principal responsável pelo amortecimento da pisada. Logo, a recepção de peso durante a marcha fica prejudicada, o que sobrecarrega as articulações do pé e favorece o aparecimento de lesões. As patologias mais comuns são:

Fascite plantar;
Hálux valgo (Joanete);
Insuficiência do tibial posterior;
Canelite.

Pisada Supinada
Esse tipo de pisada é caracterizado pela supinação excessiva, no momento em que o pé encosta no chão. Ou seja, o pé realiza um movimento exacerbado para o lado de fora. O tornozelo também desvia para o mesmo lado, por conta da proximidade com a articulação subtalar. O desalinhamento recebe o nome de tornozelo varo.

Na pisada supinada, o peso do corpo é descarregado apenas na lateral do solado. A falta de apoio na região média do pé e o mau posicionamento do arco prejudicam o amortecimento da marcha, criando pontos específicos de sobrecarga que podem causar lesões. As principais são:

Entorses de repetição;

Fratura por estresse do 5º metatarso;

Dor no dorso (cuneiformes).

 

OS TIPOS DE PISADA X OS TIPOS DE PÉ

Os tipos de pisada muitas vezes estão relacionados aos tipos de pé, mas esses termos não significam a mesma coisa.O tipo de pé é caracterizado de acordo com o arco plantar (arco formado pelos ossos do meio do pé). Na maioria das vezes, os tipos de pé são descritos como: pé cavo, pé normal e pé chato. O pé cavo possui o arco mais alto que o normal e, geralmente, as suas articulações são mais rígidas. Já os pés chatos ou planos possuem arco baixo ou inexistente e tendem a ser mais maleáveis.

Normalmente, o pé cavo está relacionado à pisada supinada, por conta da característica rígida desse tipo de pé, que dificulta a pronação. Já o pé plano muitas vezes está associado à pisada pronada, pois o pé mais maleável sede com o peso do corpo, rebaixando o arco. Clique aqui para entender mais sobre os diferentes tipos de pés.

 

CAUSAS

Alterações no tipo de pisada podem acontecer por diversos motivos:

– Pé muito plano: o pé plano pode levar a uma hiperpronação, devido ao desabamento do arco durante a pisada;

– Pé muito cavo: por ser um pé mais rígido, a pronação fica mais difícil durante a pisada e, por isso, ele está relacionado com a pisada supinada;

– Músculos profundos do pé e tibial posterior: esses músculos são fundamentais para manter o alinhamento do arco e dar suporte durante o amortecimento da pisada. A fraqueza muscular ou erro na ativação, durante o movimento, podem levar ao rebaixamento desse arco, predispondo a uma pisada pronada;

– Alinhamento dos joelhos: além das articulações do tornozelo e do pé, o joelho também pode sofrer com desvios e interferir diretamente no alinhamento da pisada. Quando os joelhos ficam posicionados para dentro, dizemos que são joelhos valgos e eles normalmente causam a pronação dos pés. Quando os joelhos ficam para fora, são chamados de joelhos varos, e causam a supinação dos pés.

Alinhamento dos joelhos

Joelho valgo e joelho varo

 

CONSEQUÊNCIAS DE UMA PISADA ERRADA

Alterações no alinhamento da pisada podem causar sérios problemas nos pés, tornozelos e joelhos, devido à sobrecarga dos tecidos envolvidos. Os problemas mais comuns relacionados à pisada pronada são:

– Fascite plantar: patologia que atinge o tecido da sola do pé. Devido ao aumento de carga sobre o tecido, durante o movimento da pisada, este tecido inflama, o que causa fortes dores na planta do pé;

– Joanete: esta deformidade ocorre quando o dedão desvia em direção aos outros dedos, gerando uma protuberância óssea em sua base. Essa condição pode gerar fortes dores na primeira articulação metatarsofalangeana (base do dedão) e é causada pela sobrecarga na região;

– Insuficiência do tibial posterior: esta lesão atinge o tendão que estabiliza o arco longitudinal do pé. Ela pode causar o desabamento do arco deixar o tornozelo valgo – condição que, quando agravada, pode levar à patologia conhecida como pé chato adquirido;

– Canelite: dor na região da canela, devido à inflamação da tíbia. Aparece quando a musculatura e as estruturas ao redor desse osso não suportam a carga recebida, sobrecarregando o tecido ósseo. Os corredores iniciantes e as pessoas que intensificam a carga de treino tendem a sofrer mais com a canelite.

Já a pisada supinada pode causar os seguintes problemas:

– Entorses de tornozelo: o posicionamento da pisada para fora favorece a entorse, por conta do estiramento dos ligamentos;

– Fratura do quinto metatarso: o desvio da pisada para fora aumenta a pressão sobre a parte lateral dos pés, o que eleva a quantidade de carga recebida pelo quinto metatarso. O estresse constante sobre o osso pode provocar uma fratura do tecido e causar fortes dores na região lateral do pé ou nas proximidades do dedinho;

– Dor no dorso: a pisada supinada desalinha os ossos do dorso do pé e dificulta o deslizamento entre eles, o que prejudica o amortecimento de impacto. Quando isso ocorre, os ossos são comprimidos, o que pode causar inflamação e dor.

Outras patologias também podem atingir as articulações, pois essas estruturas tendem a desviar para compensar o movimento da articulação desalinhada. (são duas articulações diferentes) Por isso, quando os membros inferiores estão doendo, é fundamental verificar o alinhamento da pisada, para garantir que esse não é o fator que está causando o incômodo. Caso o erro biomecânico estiver no posicionamento da pisada durante a locomoção, alguns métodos podem ser empregados para corrigi-los.

 

COMO AVALIAR E CORRIGIR ERROS NO TIPO DE PISADA

Antes de corrigir os tipos de pisada, é necessário saber se a pessoa está com alguma dor ou incômodo nos pés, tornozelos ou joelhos. Em casos positivos, é importante realizar um teste de pisada para verificar se existem ou não desvios durante o movimento. Veja abaixo alguns métodos utilizados para avaliar o tipo de pisada.

– Sola do sapato: esse método consiste em avaliar o desgaste que ocorre no solado dos sapatos. Caso o desgaste seja externo, significa que a pessoa pisa supinado. E, quando o desgaste é interno, quer dizer que a ela pisa pronado.

Esse método não é tão confiável porque muitas pessoas têm mania de arrastar o pé, por exemplo, e geralmente o pé que arrasta é o que não está recebendo carga – pisando.

– Olhar para a impressão do pé molhado em uma folha seca: esse método é bastante indicado como teste caseiro, devido a sua facilidade. Porém o teste não é fidedigno pois o tipo de pé pode comprometer o resultado. Apesar de um pé chato estar mais ligado à pisada pronada, pessoas com pé chato podem ter o padrão supinado de pisada. O mesmo vale para quem tem os pés cavos, que podem apresentar uma pisada pronada.

– Olhar o alinhamento dos tornozelos em pé: por estarem próximos à articulação subtalar, os desvios acentuados dessa articulação podem ser percebidos ao observar a região posterior dos tornozelos (varos ou valgos). Porém a postura estática adotada pelo corpo pode ser diferente durante o movimento. Por isso, é importante analisar o posicionamento quando a dor é referida.

– Análise de vídeo: neste método é necessário filmar a pessoa de costas enquanto ela anda ou corre em uma esteira. E, com o vídeo rodando em uma velocidade mais lenta, pode-se analisar especificamente a articulação subtalar ou todo o alinhamento da perna. É bastante utilizado no cenário esportivo.

– Baropodômetria: este método computadorizado é feito com o uso de uma plataforma que detecta os pontos de maior pressão nos pés durante a pisada. Apesar de poder ser realizado de forma estática ou dinâmica, o ideal é que seja em movimento para se entender a adaptação dos pés ao solo. Esse aparelho consegue detectar o posicionamento do centro de massa do corpo sobre os pés e criar uma linha (gait line). Essa linha deve se iniciar no calcanhar e ir em direção ao segundo dedo. Quando o alinhamento está mais para fora, a pisada é supinada. Quando está para dentro, significa que a pisada é pronada. Além disso, o aparelho mostra os pontos de maior pressão no pé, o que indica os locais de maior risco de lesão.

 

COMO CORRIGIR

Exercícios
Para corrigir os desvios articulares durante o movimento, recomenda-se fortalecer as musculaturas do membro inferior. Para isso, um fisioterapeuta irá passar exercícios para melhorar as estruturas dos pés e os alinhamentos das articulações durante o movimento. Podem ser indicados diversos exercícios, entre os mais conhecidos estão: andar na ponta dos pés, flexionar os dedos e a planta dos pés utilizando uma toalha, equilibrar o corpo com apoio de uma perna só.

Consciência corporal
Caso seja verificado que o desvio articular não está sendo causado pela fraqueza dos músculos, mas sim pelo erro no momento de ativação da musculatura, serão recomendados exercícios para a conscientização do movimento. O mais comum é indicar que a pessoa faça atividades em frente ao espelho, para que ela consiga perceber visualmente as ações que estão tomando.

Palmilha
As palmilhas são interfaces colocadas entre os pés e os sapatos, que auxiliam na orientação do movimento por meio de estímulos durante a pisada.

PALMILHAS PÉS SEM DOR® PARA CADA TIPO DE PISADA

A palmilha sob medida Pés Sem Dor pode ser desenvolvida para corrigir os desvios de pisada. Para isso, é necessário passar por uma avaliação com um de nossos especialistas. Durante a avaliação é realizado o exame de baropometria, para saber qual o tipo de pisada. Em seguida, o escâner 3D ajudará a identificar o tipo de pé: chato, normal ou cavo.

Com todos esses dados, conseguimos desenhar uma palmilha que se encaixe perfeitamente em cada pé. Caso seja necessário corrigir a pisada, cunhas laterais serão adicionadas à palmilha. No caso da pisada pronada, aplica-se uma cunha interna, enquanto que na supinada, utiliza-se uma cunha externa.

Por fim, as palmilhas Pés Sem Dor são impressas em equipamentos 3D para que seja mantida a fidelidade ao projeto computadorizado. Dessa forma, conseguimos garantir a qualidade do produto oferecido e um tratamento eficaz para o controle e prevenção das dores.

Palmilha Pés Sem Dor

Palmilhas sob medida Pés Sem Dor

 

CALÇADOS

Dentro do mercado de calçados existem empresas que produzem tênis específicos para pisada pronada e supinada. Porém as evidências científicas são conflitantes quanto à eficácia desses tipos de calçado na prevenção e no tratamento das dores. Percebe-se que, apesar das indústrias de calçados terem desenvolvidos diversos designs de tênis de corrida, para os mais diferentes padrões de pisada, o número de lesões entre os corredores não diminuiu.

Outra questão importante: não necessariamente os dois pés têm o mesmo desalinhamento, mas os tênis são sempre vendidos em pares iguais. Então, se você pisar com um pé pronado e outro neutro ou supinado, terá que comprar dois pares de tênis diferentes. Além disso, o valor dos calçados específicos para esses tipos de pisada é, geralmente, mais alto do que um tênis para pisada neutra. Portanto, o mais recomendado é que se compre um tênis de pisada neutra. E, caso você sinta dor, procure uma avaliação de um especialista para que ele indique o tratamento ideal.

 

ESPORTE

Os corredores são os que mais sofrem com os erros de pisada, porque eles forçam demais a articulação e pressionam muito os pés, por conta da velocidade envolvida no movimento durante a prática de atividade física. Por seu ganho de popularidade e, consequentemente, pelo aumento no número de lesões, a corrida tem sido bastante pesquisada.

Vários estudos demonstram que o aumento de velocidade dos passos eleva a pressão sobre os pés, tanto na fase do amortecimento quanto na fase de impulsão. Acredita-se que, além do aumento de pressão, os motivos que favorecem o aparecimento de lesões são os desvios excessivos para a pronação ou supinação. Por isso, as indústrias de calçado têm investido bastante em estudo e tecnologia para desenvolver um tênis que ajude a diminuir a quantidade de lesões nos praticantes de corrida.

 

DICAS E CURIOSIDADES

É sempre importante procurar um especialista para que ele avalie o que está causando a dor e recomende o melhor tratamento. Junto ao acompanhamento especializado, alguns exercícios podem ser feitos em casa para ajudar a corrigir a pisada. São eles:

– Flexores do pé e dos dedos: para fortalecer essas musculaturas, pegue objetos do chão com os pés. Faça como um exercício – tente pegar os objetos colocados no chão e segure-os durante 10 segundos;

– Equilíbrio unilateral: fique em pé, apoiado em uma das pernas, e procure achar o ponto de equilíbrio. Realize movimentos para trás e para frente com o membro inferior que não está encostado no chão, imitando os movimentos de pisada feitos durante a corrida.

 

LINKS EXTERNOS SOBRE OSTEOPOROSE

1) The Relationship Between Static Lower
Extremity Measurements and Rearfoot Motion During Walking | Journal of Orthopaedic & Sports Physical Therapy®;

2) The Relationship Between Forefoot,
Midfoot, and Rearfoot Static Alignment in Pain-Free Individuals | Journal of Orthopaedic & Sports Physical Therapy®;

3) Injury risk in runners using standard or motion control shoes: a randomised controlled trial with participant and assessor blinding | British Journal os Sports Medicine;

4) Does running shoe midsole hardness influence running-related injuries? results from a double blind randomized controlled trial | British Journal os Sports Medicine.


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Autor(a): Key Fujisaki é fisioterapeuta formada pela Universidade de São Paulo – USP, com intercâmbio na Universidade de Queensland – Austrália. Fez estágio no laboratório de pesquisa da School of Health and Rehabilitation Sciences da Universidade de Queensland no projeto “The effects of experimental knee pain in maximal voluntary extension force”. Analista de Fisioterapia na Pés Sem Dor, gosta de gastronomia e mergulho.Profissional com registro no crefito: 223367-F.

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